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Mário Gusmão é homenageado em espetáculo teatral

Peça está em cartaz no Teatro Martim Gonçalves

Estreou na quinta feira, 27, o espetáculo Gusmão – O Anjo Negro e sua Legião. Uma homenagem ao conhecido ator e dançarino baiano Mário Gusmão (1928-1996), a peça, encenada pela Companhia de Teatro da UFBA, com dramaturgia e direção de Tom Conceição, fica no Teatro Martim Gonçalves até 13 de agosto, sempre de quinta a domingo, às 19:00 horas. A entrada é franca.

“O espetáculo, vale-se de um teatro discursivo e polifônico para  mesclar homenagem e contestação social”, diz o diretor. Música, dança e texto articulam-se em cenas inventadas ou recriadas a partir de situações reais vividas por Mário Gusmão e pelos próprios atores, com uma pergunta chave: até quando? “Até quando a cor da minha pele vai determinar meu lugar social? Até quando vou ser perseguido e humilhado por ser negro ou por ter determinada religião ou profissão, ou pertencer a determinada classe social?”, completa ele.

Em março passado, a Cia de Teatro fez uma chamada pelas redes sociais, convidando estudantes de Artes Cênicas, do Bacharelado Interdisciplinar em Artes e ex-alunos da Escola de Teatro a participarem da oficina/audição para seleção de elenco.  As inscrições via internet levaram 105 pessoas à audição e ali foram selecionados componentes do elenco, ao todo nove atrizes e cinco atores. Victor Edvani ganhou o papel de Gusmão e outros integrantes do trabalho foram diretamente convidados pelo diretor, a exemplo do dançarino Agnaldo Fonseca, do núcleo de Pesquisa do Balé TCA, da coreógrafa Marilza Oliveira, professora da Escola de Dança da UFBA e dos músicos Emilie Lapa e Luciano Salvador.

gusmao-cartaz

Como dito na Agenda Arte e Cultura, da Faculdade de Comunicação, “a produção traça uma linha cronológica que nasce na Cidade de Cachoeira, com referências nas mulheres da Irmandade da Boa Morte, nas feiras livres e no Samba do Recôncavo, e passa por Salvador, na década de 50, expondo marcos da ascensão e da derrocada de Mário Gusmão nas artes da cena até a sua morte, em 20 de novembro de 1996”.(http://www.agendartecultura.com.br/teatro/espetaculo-homenageia-mario-gusmao-teatro-martim-goncalves/).

Gusmão nasceu em Cachoeira e, de acordo com a biografia que lhe dedicou Jeferson Bacelar, baseada em sua tese de doutorado, Mário Gusmão: um príncipe negro na terra dos dragões da maldade (Editora Palas, 2006)veio para Salvador em busca de melhores oportunidades profissionais. Só no final da década de 1950 começou a se dedicar àquilo que se tornaria sua grande paixão, o teatro. Foi aluno de uma das primeiras turmas da Escola de Teatro da UFBA, formou-se em 1960, integrou o Grupo dos Novos, que fundaria o Teatro Vila Velha em 1964, e destacou-se no cenário do Cinema Novo com o papel do cego beato Antão que, a cavalo, de lança em punho, mata o Coronel Horácio (Jofre Soares) na épica cena final da obra prima de Glauber Rocha, O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro.

Antonio das Mortes

Gusmão, um São Jorge sertanejo na obra prima de Glauber Rocha

Gusmão foi protagonista de O Anjo Negro, do cineasta também baiano José Umberto, longa-metragem lançado em 1973 no qual encarna o mítico Calunga, uma espécie de Exu a subverter uma tradicional família branca de classe abastada, ainda segundo Jeferson Bacelar, para quem a discriminação por cor, classe e orientação sexual foi um componente fundamental das dificuldades materiais que marcaram o final da vida do artista.

Ainda na década de 1970, envolveu-se com as danças afro-brasileiras e aprofundou sua pesquisa em torno de uma estética artística que expressasse o universo cultural negro. Foi parceiro de Clyde Morgan na Escola de Dança da UFBA e no Instituto Cultural Brasil-Alemanha, o Instituto Goethe de Salvador. Na TV, atuou na minissérie O pagador de promessas, em que interpretou Mestre Coca, o capoeirista que ajuda o personagem Zé do Burro a concretizar sua promessa. O ator também foi tema do documentário de Élson Rosário, Mário Gusmão, O Anjo Negro da Bahia.

Fonte: EdgarDigital.